sábado, 6 de dezembro de 2014

Perifeéricos na Virada Cultural 2014.


A trupe Perifeéricos apresenta sua 'Rosa dos Ventos', no dia 13/12, às 18h.
No Fórum Landi (Praça do Carmo) 



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Ensaio 'Rosa dos Ventos'


Ventos feéricos soprando a todo vapor para o que será um rito, uma iniciação, uma celebração.
Prosas, verbos, versos se entrelaçam nas entidades da rua. 
O de antes, agora e outrora se tecendo com a linha da imaginação.

Em magias e misturas, entre pétalas e criaturas, com fumaças e agruras, os ventos sopram.
Desenham o despetalar de uma Flor.

A grande roda girando ao sabor do vento, anuncia:

A Rosa dos Ventos

O Fauno. 


A Flor

A Duende. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Era (peri)Feérica.

por Karimme Silva

Em passos curtos, porém rápidos, surge um alter ego feérico. Surge o encontro seres arquetípicos pelo caminho, que tomam aos poucos pelas mãos e levam a um universo mítico e cheio de segredos. Este universo se desenha com pétala de flor da mata: a doçura vermelha envolta em espinhos. Selva. 
Para além do bom e do mal, a missão é contar histórias. A conta-ação.
O conto, que por encanto, surge em cada conto e em cada canto. 
As figuras que se desfiguram, entre cartas e palavras. Entre gestos e ações.  Entreatos. 
Cada qual traz um emblema, sendo destrinchado todos os dias. Da caixa para a rua, as feras se recompõem, se decompõem. O arcabouço multiverso surge, em meio ao caos social, a loucura sã e a ordem desordenada.  O som vem, enquanto natureza, enquanto espaço urbano, enquanto limbo do silêncio. Perifeéricos é o universo que me percorre com calma, mas com a certeza de ganhar espaços além das histórias das ruas. Entra com os rituais, energias imagens, sinestesias e compreensão da arte teatral em um outro plano. Como dizem os feéricos mais antigos, somos obreiros e ao mesmo tempo aprendizes. Somos jogados, somos jogadores.

Eis aqui, em verso e prosa, a Era Feérica. 



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sobre Sonhos, Destinos e Profecias...


“O futuro é uma torre já erguida, mas foi construída pelas escolhas.”
Denotan




 por Rafael Couto

Os sonhos proféticos são mencionados desde a antiguidade, aparecem nos estudos sobre magia, nas tragédias gregas e mesmo muito antes em escritos bíblicos e outros livros sagrados. Muitos foram os relatos que ouvi sobre sonhos que revelaram o futuro e eu mesmo pude vivenciar alguns poucos. Considerar a possibilidade de premonição através dos sonhos ou qualquer outro meio levanta algumas questões, pois se for possível vislumbrar um momento que ainda não ocorreu e ele se concretizar, isso denota que o futuro pode ser algo concreto, que já aconteceu em um outro tempo. Sendo assim, temos realmente livre arbítrio? Quem puxa essas cordas do destino? Se previrmos esse futuro, podemos alterá-lo, devemos alterá-lo, ou a premonição em si é o que nos leva para o futuro previsto, como a profecia feita para Édipo, da qual ele tenta fugir e exatamente por isso conduz ao seu trágico destino? 

Não me atrevo a responder essas questões, pois tudo o que vier a dizer não passará de hipóteses acerca de algo que vai muito além de minha compreensão e que por mais que eu estude sobre o tema ou e o vivencie através prática de consultar oráculos, sejam eles o Tarot, I Ching ou búzios, só chego à conclusão determinístico, é sempre misterioso e surpreendente. Mas não é por isso que deixo de me debruçar sobre o tema ou de mergulhar nele, por vezes. Trago aqui um relato pessoal de um dos raros sonhos que considerei proféticos:

Thainá, nossa atual Rosa, corria, ao pôr do sol, numa praia onde havia uma árvore ao lado. Ela estava com o antigo figurino, de Gabi, nossa primeira Rosa. Ela estava alegre, corria, dançava e saltitava “sozinha”, como se brincasse com o vento ou com alguém invisível. O restante da trupe assistia ao lado, como se fosse um ensaio. Primeiramente quis reproduzir essa imagem que sonhei em nossas filmagens, como a praia parecia muito uma das de Cotijuba, pensei em ter a ilha como uma das locações. Porém acabei achando o local, semelhante ao que vi no sonho, quando procurávamos locações pelas praias de Mosqueiro. Nós já tínhamos encontrado o local para filmar, mas insisti para que continuássemos adiante, quando me surpreendi ao me deparar com o mesmo local que eu havia sonhado. Até aí nossa racionalidade pode dizer que tudo não passou da memória imperfeita de um sonho que eventualmente encontrou um cenário parecido com o sonhado em face às semelhanças geográfica das praias dessas duas ilhas. Mas não para por aí.

Quando eu tive o sonho, Marcus era quem estava representando DerMond. O ator teve que deixar o processo e isso me levou à inusitada ideia de chamar o Ícaro, o ator que representou o DerMond nos primeiros anos da trupe e estava no rio de Janeiro para vir a Belém e dar vida novamente a essa personagem, agora nas telas do cinema. E eis que, depois de concluída as filmagens, com enorme sucesso e satisfação, finalmente, no dia seguinte, me cai a ficha sobre a profecia dentro sonho. Uma profecia tardia, já que só foi percebida após sua conclusão, mas que ainda sim nos serve para servir de exemplo de como as forças misteriosas podem agir. Vamos à profecia: 
1 - Thainá: representa Rosa o novo, o futuro.  
2 - Figurino de Rosa: simboliza o passado, aquilo que já foi e ainda assim permanece, Ícaro, o ator que contracenou com Gabi. 
3 - Nova Rosa vestindo o figurino da antiga: representa o encontro do novo com antigo, contracena de Thainá com Ícaro. 
4 - Eu achar que era Cotijuba: local onde nasce o primeiro filme do Maria Preta, indica a filmagem, na direção do Mateus (no sonho eu pensava que assistia um ensaio de teatro, nem me ocorria ser uma filmagem). Realização: Rosa correndo como em meu sonho, num local extremamente parecido como nele, num filme dirigido por Mateus, onde ela contracena com Ícaro. 

E para coroar, Karimme percebe que uma das raízes da árvore forma a Lemniscata, o símbolo do infinito, que aparece sobre a cabeça do Arcano Maior O Mago, arquétipo responsável pelas revelações feitas a partir das sincronicidades, dos mistérios, dos milagres e dos símbolos dos sonhos e das profecias, unindo céu e tearra, nos lembrando que a magia existe e o mundo está muito além do que nós conseguimos enxergar. O Mago nos mostra a cena, revela seu local, indica os atores e, como o artista que é, ainda assina sua obra. 


Posso dizer que tudo isso é a mais pura revelação de que as profecias e a magia existem e que ela rege nosso teatro, vocês podem dizer que é mentira minha, nós podemos suspeitar não passa de viagem, uma mente imaginativa pronta para se iludir com uma série de coincidências ou ainda que tudo não passa de loucura ou brincadeira de algum espírito mistificador. E ainda nos perguntarmos: se a obra já havia sido profetizada em sonho, o que a concretizou na realidade? Ela me guiou, mesmo inconscientemente, a realizá-la, ou simplesmente me mostrou o fruto de escolhas que faria? Tudo poderia sair diferente se não tivesse acreditado na força desse sonho? Para onde essa realização irá nos levar? Quem mostrou o sonho, minha mente, alguma entidade? Que entidade, com que intenção? O fato é que não podemos saber o que é de verdade, tudo será mera cogitação e cada resposta só gerará novas dúvidas. Mas podemos usar tudo isso para gerar cenas e obras incríveis e alimentar a imaginação, a criatividade e promover momentos magicamente inesquecíveis. Afinando-nos cada vez mais na arte de plasmar os sonhos.





segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O vento interceptador de vontades.

por Ícaro Gaya (o Dermond de antes e do outrora, trazido pelas asas das nuvens) 


O vento interceptador de vontades, um rapto deliberado, fortuito e feliz. O vento leva e trás o susto astuto assusta, vulto. Movimento das nuvens, imagens mutantes. Voo dos pássaros. Toró. Sol. Conjuração divertida. Vértices e partidas. O vento destina quando o corpo vira vendaval e destrói cabeças de'ao vento. Estou nesse entre. Nesta crise. Neste festejo de lamento. E Ter esse espaço para relidar com o DerMond junto de vocês é uma graça da Nazica pois tudo isso está vivo, pulsando, na cola... Grato por tudo, toda essa semana, todo o olhar, a direção e o carinho. Espero que logo estejamos alçando novos voos quando for possível! Merda! 



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sobre a Liturgia (e os espaços)


por Mateus Moura 

O ator, para atingir o seu objetivo – qual seja, o de elevar um instante ao nível do sagrado – deve dominar com leveza e força o espaço visível e o invisível.
O espaço visível é aquele que contém as dimensões da altura, da largura e da profundidade e se desenha no tempo. A matéria que ocupa esse espaço é o que chamamos de corpo, o organismo humano constituído pelo tronco inferior e superior, e revestido pela pele.
O espaço invisível é aquele que contém as dimensões do timbre, da altura e da intensidade e que também se desenha no tempo. A onda que vibra nesse espaço é o que chamamos de voz. Ritmo, melodia, harmonia, ruído e silêncio são análogos de tempismo, gesto, jogo, caco e pausa. O objetivo do ator é atingir o Mundo, ou seja, fazer de cada nota emitida enquanto frequência o mais belo gesto coreografado no ar, de cada caco improvisado o mais impressionante e inesperado ruído, de cada pausa o mais exato silêncio, para que o ritmo em si se confunda ao mais clarividente tempismo, e assim, cada ator enquanto instrumento afinado, inspire o diapasão que pulsa e expire no jogo da harmonia.
O ator é o filho na Trindade.
Para o ato brilhar sublime também necessita-se do pai (a energia) e da mãe (a poesia). O pai é a força, a mãe é a luz. O pai age, a mãe recebe. O objetivo do filho é atingir o Mundo, retornar ao lar. Lá onde música e dança se confundem, onde espaço e tempo, visível e invisível, energia e poesia, masculino e feminino, são um só instante.
Esse instante eterno - ou infinito - é o que comumente chamamos de cena. Ou utilizando uma palavra mais antiga, rito.

Um dia andarilhos, eternos errantes, atuais peregrinos, caminhamos rumo ao inédito familiar. Deixando o universo para adentrar o cosmo. Abandonando o cotidiano para comungar do extraordinário. Fazemos por oferenda.


Mateus Moura (aprendiz de ator/diretor/músico/dramaturgo na Trupe Perifeéricos)

Um novo-velho ciclo.

por Karimme Silva

Processos iniciam, findam e o mais importante: se modificam.
É através da frase acima que iniciamos - e anunciamos - um novo período, um novo jogo, no qual participam novos-velhos viajantes, provando que as peças podem ser deslocadas, de forma a dar e ganhar outros contornos e significados. Miragens e mirações colocam-se diante do Eu e do Outro, na linha tênue, quase invisível que 'separa' quem pratica e o espectador. Inaugura-se uma nova história. Como diz um dos nossos tripulantes na postagem que inaugura os novos registros feéricos:  "um dia andarilhos, eternos errantes, atuais peregrinos, caminhamos rumo ao inédito familiar. Deixando o universo para adentrar o cosmo. Abandonando o cotidiano para comungar do extraordinário. Fazemos por oferenda."

Aqui nasce um outro tempo Feérico, em forma de registro.
Pois a memória é tão importante quanto a ação
Sejam(os) todos bem vindos. Evoé!