quarta-feira, 4 de março de 2015

Sobre a relação energia/ator/público (ou “o caminho do rio”)


por Mateus Moura

 'Ser um anel da corrente é ser a corrente. A beleza corre oculta na correnteza.'

Todo ritual que trabalha as forças ocultas que estão entre o eu e o mundo necessita de duas qualidades para transformar essa energia estranha em movimento criativo: a Força e a Firmeza.
A Força não é a bruta, mas já a lapidada, a pedra preciosa, que já tem como fim o encantamento através do belo.  A Firmeza é ética, saber o que se quer conseguir, saber o que não se pode abrir mão, e praticar sacrifícios.  Para não terminarmos presas da corrente, é preciso sê-la. 
Uma corrente é um conjunto de anéis enlaçados. Ser um anel da corrente é ser A corrente. A correnteza – a corrente já em seu estado máximo de beleza -, para correr firme e forte, não pode ter frouxo nenhum de seus anéis. O rito acrescentou um “t” ao rio, o mesmo T que Deus legou ao Homem na Queda Mítica do Paraíso: o Trabalho. E o “Trabalho” nada mais é que o esforço promovido pelo homem para retornar, em déjá vu, pela Obra, à União Primordial – onde já não existe corrente ou correnteza, coletivo ou indivíduo; apenas o infinito.  


"Nesse rio que nos conduz
navegamos quase tranquilos 
mareando entre a treva e a luz..."



Mateus Moura (aprendiz de ator/diretor/músico/dramaturgo/cineasta na Trupe Perifeéricos)

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